sábado, 17 de janeiro de 2015

COMO ENFRENTAR AS BIRRAS...



A maioria das crianças entre os 18 meses e os 4 anos têm aquelas birras quase incontroláveis que deixam os pais sem saber como agir. Nesta fase, as crianças testam ao máximo os limites dos pais.

A birra resulta da perceção que a criança tem de si como ser individualizado com vontades, mas que ainda não entende que, para viver em sociedade, tem que ceder.
Esta fase da 'afirmação do eu' faz parte do desenvolvimento normal da criança, do conquistar de uma identidade própria.

Trata-se de um conflito que se processa no interior da criança e que basicamente coloca em confronto a procura da autonomia, por um lado mas, a ainda dependência dos pais por outro.

Apesar de ser uma fase complicada, os pais devem encara-la com felicidade...significa que o vosso filhote está a crescer!

Eu sei que é também uma fase onde nós, pais, desesperamos e nos questionamos” o que estou a fazer de errado?, sendo a maior dificuldade o conciliar a compreensão, que visa proporcionar as trocas afetivas de que a criança necessita, com uma determinada firmeza...

Em primeiro lugar, não se oponha se não tiver a certeza que será capaz de ir até ao fim. Se decidir enfrentar a birra, deverá fazê-lo com calma e firmeza. Mas, sempre tendo em mente que firmeza não implica ser agressivo, pelo contrário, só vai ter resultados se aliar a firmeza à suavidade.

Nesta fase, é fundamental que os pais não tenham receio de dizer 'não'... A disciplina, o dizer não é também uma forma de amor e deve praticá-la sem medos...Arrisco mesmo a dizer que a disciplina é, depois do amor, o mais importante que se pode dar a uma criança.

Agora...Não é necessário tornar-se num pai ou mãe “general”. Aqui ficam algumas dicas....

• Explique sempre a razão do 'não'. Não são necessárias grandes explicações e basta explicar uma, duas vezes no máximo....quando mais voltas dá e mais explica. Mais a criança percebe que pode “jogar” consigo e vai testar os seus limites até ao limite!!!!

• Expresse empatia e diga-lhe que compreende perfeitamente o que ela está a sentir. Dê exemplos seus de quando era pequenina e como se sentia quando era contrariada mas que agora que é grande percebe que foi para seu bem. Por exemplo: “'Quando era pequena, a avó também não me deixava comer todos os doces que eu queria e eu ficava muito triste. Mas, também sei que, se comeres os doces todos vais ficar com uma valente dor de barriga, mas a mamã gosta muito de ti e não quer que te doa a barriguinha.'

• É preciso que vá fazendo a criança entender que as birras dela não farão mudar a opinião dos pais em relação ao que lhe estão a dizer e que, também, não altera em nada o amor que sente por ela.

• Após a birra, felicite SEMPRE a criança por se ter decidido pelo bom comportamento.

• Se mesmo assim não resultar, ignore-a por alguns minutos e continue o seu percurso. Às vezes as birras não são mais do que um mero espetáculo...espetáculo esse que só funciona enquanto há expectadores... É claro que nem sempre é possível ignorar, principalmente quando a criança toma atitudes que a podem colocar em perigo e ai, a solução é mesmo conduzi-la pela sua mão e avisá-la que mais tarde será penalizada. As “penalizações” deverão ser adequadas à idade da criança e levadas até ao fim.

• As birras são também frequentes nas horas da refeição. Não insista ou valorize de mais a situação. Quando o seu filho tiver fome, com certeza vai comer tudo num ápice. Numa atitude de desespero pode sentir-se tentado a oferecer alimentos mais atraentes mas não caia em tentação. Será a pior coisa que pode fazer porque assim a criança vai sempre “jogar” para comer só o que quer.

A birra permite também à criança lidar com os seus sentimentos e a auto controlar-se. Se usar as estratégias atrás referidas, a criança vai, gradualmente (com as crianças, tudo é muito gradual e os efeitos da nossa atitude não são imediatos) aprender a auto regular-se, a auto gerir a sua frustração... Incentive-a a fazê-lo com os seus próprios recursos... não vá logo a correr tentar acalmá-la. Dê-lhe espaço para ser ela a descobrir a sua forma de se calmar...Sempre que possível ignore para a criança perceber que não é esse o caminho para chegar até ao que quer...Dê-lhe espaço para perceber que o caminho terá de ser outro!

• Só com firmeza as crianças aprendem a respeitar as regras propostas pelos pais. No mundo em que vivemos, que se rege por regras, o melhor é aprender a aceitá-las logo desde pequenino.

Fátima Poucochinho
Psicóloga Infanto Juvenil
Asas - Clínica De Apoio Terapêutico a Crianças, Jovens E Famílias, Portimão