quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

AS CRIANÇAS E A ANSIEDADE.....



As crianças são seres extremamente sensíveis ao que as rodeia, sendo que, muitos vezes, situações que para nós adultos, não nos causam qualquer transtorno, à criança pode perturbar de forma bastante significativa...Se este tipo de situações se for repetindo sem o adulto se dar conta, facilmente temos uma criança “transformada” num ser ansioso, com dificuldade em controlar as suas emoções e o seu estar.

Muitas vezes, o que acaba por acontecer é que a criança passa a viver no futuro em vez de viver no presente, ou seja, a preocupação e o centro das atenções da criança passa a ser o que VAI ACONTECER , e não O QUE ESTÁ A ACONTECER NO AQUI E AGORA...Isso é ansiedade...É o não usufruir adequadamente do presente por estar com uma preocupação constante com o que vai acontecer amanhã, ou depois de amanha ou para o outro fim de semana.

O convívio em casa com a família e o modo como a criança vê os adultos reagirem e lidarem com o seu próprio dia a dia, exerce uma função importante no comportamento desta e na sua postura perante a vida. Como sempre digo...O EXEMPLO É A MAIOR FONTE DE APRENDIZAGEM!NO exemplo dos pais é fundamental para que a criança aprenda a controlar de forma equilibrada as suas emoções.

Esta aprendizagem é de tal forma “potente” que, bebés recém-nascidos podem, desde cedo, aprender e desenvolver alterações de ansiedade por influência da mãe.

Até os 7 anos, a criança está num nível de desenvolvimento muito primitivo, muito centrado em si, e a família é o alicerce para as suas aprendizagens morais, afectivas e emocionais.
Se no dia-a-dia, a criança presencia discussões entre os pais, ou extrema preocupação dos pais com situações do dia a dia, por exemplo, é provável que se sinta insegura e ansiosa também. Ora se os pais, que são (ou deveriam ser) a sua fonte securizante, o seu porto seguro deixam de o ser, como pode a criança construir-se com segurança? Como pode ela construir o seu EU de uma forma confiante?

Como os pais podem ajudar os filhos
- Ensine o seu filho a respirar bem devagar, para que ele se acalme. Pode ensinar-lhe a respiração abdominal ou respiração pela barriga que é extremamente relaxante e simples de executar ...Quando a criança (ou adulto) inspira, deve colocar todo o ar na barriga e fazer um balão...quando expira, deve jogar o ar todo fora, empurrando o umbigo para dentro, sendo que a inspiração e expiração são sempre feitas através do nariz!

- Se nota que a criança vive muito centrada no que vai acontecer em vez de pura e simplesmente viver o aqui e agora, explique o que vai acontecer para que ela se acalme mas, sem grandes explicações e sem muita conversa. Explicando uma vez (2 vezes no máximo) a criança percebe perfeitamente!...Não valorize esse comportamento da criança centrando-se nele e levando horas a fio a falar com ela sobre isso...Acalme-a, relaxe-a mas, encontrando um meio termo...Se leva muito tempo a falar com a criança sobre o assunto, está a mostra-lhe que isso a incomoda também, e ai gera-se um ciclo complicado de ansiedade de criança que provoca ansiedade nos pais que por sua vez gera mais ansiedade na criança;

- Converse com o seu filho. Se perceber uma mudança no seu comportamento, ajude-o a expressar-se, a nomear o que está a sentir...Se vê que a criança não se consegue expressar falando utilize imagens e peça para que ele aponte qual a imagem com que se identifica ( se com a imagem do menino triste, feliz, zangado, etc.) Aprofunde de forma “soft” as emoções, os sentires e verbalize que por vezes, também a mãe, ou pai, tem sentires mais desconfortáveis mas, que os tentam resolver...Pode ser uma boa altura para reforçar a respiração abdominal!

- Proponha atividades físicas. Elas relaxam e ajudam a criança a centrar-se no presente.

- Tenha atenção....Se perceber que a rotina e o desenvolvimento da criança estão prejudicados em função da ansiedade que ela manifesta, é importante consultar um psicólogo para que seja efectuada uma adequada avaliação e para que sejam dadas aos pais estratégias mais especificas para o seu filho em particular

Fátima Poucochinho
Psicóloga Infanto Juvenil
Clínica ASAS, Portimão