sábado, 17 de janeiro de 2015

A PRÉ ADOLESCÊNCIA E A COMUNICAÇÃO ENTRE PAIS E FILHOS....

Se para os pré-adolescentes esta fase de transições é difícil, não o é menos para os pais! Os nossos filhos passam de crianças meigas, carinhosas, amigas e preocupadas, para “outros filhos quaisquer”, que nós não reconhecemos, com caprichos, arrogância, mania de responder o que lhes apetece sem a anterior preocupação de magoar os pais! E há ainda a crescente necessidade de afirmação, que leva a atitudes desafiadoras da nossa autoridade enquanto pais ou a comportamentos desajustados! 

Tudo isto é bastante complicado de gerir para os pais, sobretudo com o tempo (que cada vez vai sendo menos) para estarmos realmente disponíveis para eles, sem ser para nos estarmos a chatear porque o professor disse isto ou disse aquilo, ou porque não estudou, ou porque....sei lá mais o quê....!É um facto que muitas vezes o acompanhamento não é o que desejaríamos que fosse...

Há muitas mudanças a acontecer no pré-adolescente - físicas, emocionais e sociais. Os complexos com a imagem corporal, a necessidade de afirmação, o desejo de ser bem aceite entre os pares ou o despertar da sexualidade são algumas das dificuldades por que passam os filhos nesta idade e que, naturalmente, fazem eco nas preocupações dos pais. 

Por outro lado, os pais sabem que a partir do momento em que os filhos começam a tornar-se adultos, a sua relação com os filhos mudará e têm receio de perder os «seus meninos». 

A comunicação entre pais e filhos pode tornar-se muito difícil nesta fase. As mudanças inerentes a esta fase de transição alteram a forma como pais e filhos comunicam e se não houver um ajuste de parte a parte, é fácil criar roturas. 
É fantasioso desejar uma comunicação aberta com os nossos filhos pré-adolescentes se não cultivamos um diálogo genuíno e fluido com eles enquanto crianças. Não nos podemos esquecer que já não são crianças pequenas (e por isso não os vamos tratar de forma infantil), mas também não os podemos tratar como se já fossem adultos (exigindo deles comportamentos que ainda não conseguem ter). 

É um equilíbrio delicado, que se faz de vários avanços e recuos, sendo necessária muita paciência para que os momentos de sintonia e harmonia possam continuar a existir...Acima de tudo o importante é não «fechar portas». 
Por vezes os pais pretendem «dar espaço» aos filhos ou acham que eles já não gostam ou não querem estar com os pais. É verdade que os filhos na puberdade começam a sentir uma necessidade de se afastar, mas isso não significa que não gostam dos pais ou que não querem saber da sua opinião. 

No meio disto tudo, nós, pais, somos o adulto e, cabe ao adulto, organizar um pré adolescente que, pelo próprio conceito do nome, se entende que internamente deve estar um pouco caótico...Cabe-nos a nós, pais, manter a calma, respirar fundo por vezes, e não nos deixarmos irritar ou ficar zangados com as atitudes dos nossos filhos. Ignorar as perguntas que nos fazem, ser sistematicamente irónico com eles ou menosprezar os seus problemas e dilemas, só serve para os afastar de nós!

No entanto...ninguém é perfeito e...há dias assim...Hoje foi o meu dia.....Um mau dia de parentalidade...
Entre mil e um que foram bons e é ai que temos de nos centrar...Não somos perfeitos, erramos mas, também acertamos e, nos maus dias é importante lembrar aqueles que foram bons para ir rebuscar essa atitude que permitiu que, nessas mil e uma vezes boas, tudo corresse bem...

Desistir? NUNCA!

Estar disponível para aceitar que na parentalidade estamos sempre a aprender? SEMPRE!

Nem sempre é fácil, porque de facto em algumas situações eles conseguem ser arrogantes, e magoam-nos a sério mas, no fundo, eles também estão magoados...Existe um imenso desfasamento entre o desenvolvimento do corpo e das emoções, e daí o seu comportamento oscilar entre comportamentos infantis e tentativas por vezes desastradas de imitar o mundo dos adultos. 

É preciso paciência e firmeza na orientação do seu comportamento, até que «aprendam» a regular-se melhor... É esse exatamente o papel dos pais...Ajudar a regular o comportamento dos filhos, promovendo a sua crescente autonomia, mas garantindo também a sua segurança. 

normal que, gradualmente, se possa começar a negociar com os filhos algumas regras e formas de funcionamento. 
Podemos ser flexíveis no estabelecimento de regras, mas uma vez estabelecidas, devemos ser firmes no seu cumprimento. Um erro grave é estabelecer regras que sistematicamente são quebradas ou prometer castigos que depois não são cumpridos. É fundamental que os pais tenham muito cuidado com o que prometem! 

Fátima Poucochinho
Psicóloga Infanto Juvenil