segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

QUANDO A BARRIGA DOÍ ANTES DE IR PARA A ESCOLA…


Estas dores de barriga acontecem bem mais frequentemente do que se possa imaginar e, a frase “Doí-me a barriga… não posso ir para a escola” é referida por um grande número de crianças, desde as mais pequeninas, às maiorzinhas!
Por norma, é uma dor de barriga que passa no fim de semana e, volta na noite de Domingo, acabando por durar quase toda a semana!
É complicado para as pais que, às tantas, já não sabem o que fazer…Será que dói mesmo a barriga ou é fita????
Estas dores de barriga durante a semana antes de ir para a escola soam-lhe familiares?
Pois, são dores de barriga que tem um nome e esse nome é ansiedade escolar. Pode ter varias origens…
  • Pode ter acontecido algo na escola que perturbou a criança
  • Pode ser difícil para a criança separar-se dos pais
  • Pode ser porque a criança tem dificuldade em lidar com a frustração de não fazerem o que ela quer e como ela quer, optando por arranjar estratégias para “refugiar-se” no ambiente familiar onde consegue ter controlo sobre as coisas
  • Pode ser porque a criança é muito inibida e tem dificuldade em relacionar-se com os outros
  • Enfim…Pode ser por mil e uma causas.
Por norma, a criança até diz que gosta da escola, que tem muitos amigos lá, que gosta da professora, que ninguém lhe anda a fazer mal mas, a resistência para ir para a escola manifesta-se sempre que a escola recomeça!
Temos de ter em atenção duas situações:
  • Ou a criança está a inventar a dor de barriga como forma de conseguir ficar a casa, ou
  • Efectivamente doí-lhe a barriga e, para isso, não precisa estar doente, basta estar ansiosa.
Consoante seja o caso, consoante a estratega a adoptar com a criança para ajudá-la.
Se percebe que é a primeira alternativa, é muito importante não permitir que a criança fique em casa, pois ela assim vai acabar por perceber que “as dores” ajudam-na a obter o que quer.
É importante também trabalhar com a criança a questão da inteligência emocional, de forma a que ela, gradualmente vá aprendendo a lidar com a frustração e com a contrariedade, vá aprendendo a colocar-se no lugar do outro, entre outras importantes competências emocionais.
Se a segunda hipótese é a que acontece com o seu filho e, efetivamente ele não está a mentir em relação à dor de barriga, então falamos de ansiedade pura! Na realidade, por norma, um dos primeiros sítios que a ansiedade “ataca” é o estômago.
Independentemente de ser a primeira ou a segunda hipótese, é importante levar a criança para a escola SEMPRE!
Sei que não é fácil (também sou mãe) mas, mantenha na sua cabeça que o médico disse que está tudo bem por isso, não está a ser nenhum vilão ao levar a criança para a escola. Pelo contrário está a ajudá-la pois, o permitir que fique em casa só vai contribuir para que não resolva a sua ansiedade, fazendo-a aumentar cada vez mais.
Deixo-vos com alguns conselhos para lidarem com este tipo de ansiedade:
  1. O primeiro passo é fazer despiste clínico, ou seja, ir ao pediatra, fazer alguns exames e perceber se efectivamente é dor de barriga fruto de alguma virose ou, se é ansiedade
  2. Depois é muito importante que a criança sinta que os pais percebem o seu sentir, a sua dor pois, independentemente de ser dor de barriga fruto de ansiedade, a dor é igual à “verdadeira” dor de barriga. Explique à criança que percebe que ela está com dores e que a quer ajudar.
Tenha uma conversa com a criança sincera mas adequada à idade da mesma. Explique-lhe que o que ela está a sentir é ansiedade e, peça-lhe mesmo para desenhar como ela acha que será a ansiedade dela se a ansiedade pudesse ser uma personagem de uma história.
Explique-lhe depois essa personagem que se chama ansiedade só existe se for alimentada e, essa alimentação somos nós que lhe damos. A ansiedade quer ser ela a mandar mas, para isso, ela precisa alimentar-se para ficar grande e forte…”Sabes do que ela se alimenta? Alimenta-se dos teus medos por isso, quando não lutas contra eles, ela vai ficando cada vez maior e maior e, a dor de barriga também vai aumentando e aumentando.
Por outro lado, a coragem alimenta-se dos medos que são enfrentados. Por cada medo enfrentado, cresces mais um bocado….”
Ajude a criança a visualizar isto como se fosse uma luta entre ela e essa personagem…Ganha quem conseguir ficar maior!!!!
Será sempre importante consultar um psicólogo que ajude quer os pais (através de gestão de estratégias facilitadoras), quer a criança (através de sessões terapêuticas)

Fátima Poucochinho
Psicóloga Infanto Juvenil
ASAS,Portimão