quinta-feira, 6 de outubro de 2016

O MEU FILHO FOI DIAGNOSTICADO COM AUTISMO…!


Inicialmente acredito que seja uma espécie de bomba que cai em cima de qualquer pai e mãe mas, quando a bomba desvanece e os pais começam a reconstruir o que foi destruído, o mais certo é acabarem por descobrir que, afinal, têm a seu lado uma criança maravilhosa que, simplesmente, vive mais tempo no mundo dela do que no nosso…

Deixo-vos com um pequeno excerto de um texto escrito por um adolescente que, em criança foi diagnosticado com autismo:

“Olá mundo

Quero dizer-vos que, ao contrário do que possam pensar, eu não sou uma versão avariada de vocês. Como tal, não preciso de ser “arranjado”, nem preciso que tenham pena de mim e dos meus pais.

Digo-vos mais…O mundo precisa de pessoas como eu. O mundo precisa perceber que ser diferente não é ser “anormal”. Porquê que as outras pessoas são as “normais” e eu o “anormal”? É que eu sinto-me perfeitamente normal…Às vezes sinto que até sou mais equilibrado do que a maior parte das pessoas…

Não se preocupem com os meus gestos, com a forma como falo, com a forma como socializo…Sou simplesmente EU…E eu gosto de ser EU!

Não é porque não encaixo no molde que o mundo fez para a normalidade que sou estranho ou esquisito…

Sou simplesmente EU… E eu gosto de ser EU!

Sim, eu tenho alguns tiques. Sim, eu ando sempre com um objeto que me transmite segurança e conforto. Sim, eu às vezes não sei comunicar da melhor maneira mas, tudo isto, é uma parte do que eu sou. E eu gosto de ser EU!

Sim, às vezes descontrolo-me e fico fora de mim mas é a minha forma de reagir a um mundo que às vezes me parece estranho e esquisito…E assustador…Às vezes o mundo parece-me muito assustador! Tem muitos sons, muitos cheiros, muitas coisas a tocarem em mim e, muitas pessoas a quererem tocar-me…

Eu não gosto muito que me toquem…É assim tão estranho? Isso não me torna menos boa pessoa e menos amigo…Sou simplesmente EU…E eu gosto de ser EU!

Sim, também não gosto quando as coisas que eu já sei como funcionam, de repente mudam. Fico meio perdido e, sentirmo-nos perdidos não é bom…É assustador!

Para mim é bem mais fácil ouvir a mesma música vezes e vezes sem conta, ver o mesmo filme vezes e vezes sem conta, repetir todos os dias a mesma rotina, as mesmas etapas, os mesmos passos. Sabem, às vezes não é mau de todo ter alguma coerência e consistência no que acontece no nosso dia a dia.

Para vocês não é assim? Não faz mal…Eu respeito isso. Cada um tem a sua maneira de ser, de estar. Devemos SEMPRE ser nós próprios e eu, eu gosto de ser EU!”

Tradução livre por Fátima Poucochinho