sábado, 9 de janeiro de 2016

Já ouviu falar em Disfunção do Processamento Sensorial?



Sabemos que é através dos sentidos que a criança vai interiorizando informações e vai percebendo o mundo que a rodeia. Quando estes falham ou ficam "avariados", o acesso ao mundo fica perturbado, não possibilitando a correcta percepção e interacção com o meio.

Muitas vezes a criança é tida como mal comportada, mimada, birrenta, difícil mas, na realidade não se trata de uma questão comportamental mas sim sensorial.

O que isto quer dizer?

Quer dizer que uma criança com fragilidades a nível sensorial tem uma extrema dificuldade em auto regular-se e, o que acaba por acontecer, é que acaba também por não conseguir regular a intensidade com que sente as emoções e, por isso, do pequeno, faz uma tempestade, não conseguindo encontrar o meio termo para parar a escalada em que entra o seu organismo.

Facilmente, perante uma contrariedade ou perante algo que implica emoções mais fortes (quer sejam positivas ou negativas), a criança perde o controlo e, o seu comportamento mostra exactamente isso: um grande descontrolo e uma grande dificuldade em recuperar a calma e a organização interna...Quanto mais castigos, quanto mais a repreendem, mais o descontrolo se intensifica porque a criança precisa de ajuda para conter-se e não de mais estímulos descontroladores como gritos, repreensões e, por vezes, "palmadas".

Em função disto, é importante ter em atenção que nem sempre o que parece é e, nem sempre uma birra é fruto de crianças mimadas.

As crianças com disfunção no processamento sensorial acabam por ser vitimas das aparências quando na realidade apenas precisam de ajuda para lidar com a intensidade dos estímulos que recebem do meio

Trata-se de uma perturbação neurológica que tem a ver com uma incapacidade do cérebro para integrar os estímulos que recebe do meio envolvente, provocando um acesso ao mundo  desadequado e, não possibilitando a correcta percepção e interacção com o meio..

Revela-se de forma mais evidente, através de um comportamento descontrolado, por vezes descontextualizado perante as situações com que a criança se confronta no seu dia a dia. Tal acontece porque a criança reage de uma forma extrema às situações que, para os outros, parecem normais mas que, para ela, se tornam rapidamente intensas.

Para além deste sintoma mais "visivel", existem outros sintomas que raramente associamos ao comportamento disruptivo da criança. Deixo-vos com alguns...

Sensibilidade a determinados tecidos

Reacção negativa ao ser penteada

Ou tem muito calor ou muito frio independentemente da temperatura ambiente

Dificuldade em manter o equilíbrio, sendo muito "trapalhona", caindo muitas vezes, tropeçando ou fazendo as coisas caírem

Dificuldades a nivel da coordenação motora como o jogar uma bola, por exemplo

Agitação excessiva

Agressividade alternada com momentos meigos e carinhosos

Flutuações de humor frequentes

Dificuldade em lidar com a  frustração

Estar atento, enquanto pai ou enquanto educador/professor é meio caminho andado para que a criança se sinta compreendida...E estas são crianças que precisam mesmo de se sentirem compreendidas porque, nem elas proprias se conseguem compreender!

Para além disso, é importante nunca esquecer que se trata de um quadro neurológico e não de uma criança mimada, fruto de uma má parentalidade!

Fátima Poucochinho
Psicóloga Infanto Juvenil
ASAS, Portimão