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quinta-feira, 6 de outubro de 2016

FAZ O QUE EU DIGO MAS NÃO FAÇAS O QUE EU FAÇO...



"...os pais estão proibidos de negociar, de justificar ou de explicar as regras que entendem que uma criança deve ter (e que, supostamente, têm tudo a ver com os seus bons exemplos).

Porquê?


Porque as crianças lhes tiram, desde sempre, as medidas até à alma. E, portanto, porque elas sabem muito bem quando é que os pais lhes estão a exigir comportamentos em tudo adequados aos seus bons exemplos ou, pelo contrário, quando é que eles se estão a esticar, exigindo um conjunto de atitudes que não têm nada a ver com aquilo que fazem.

Por exemplo: faz sentido que o pai exija que uma criança não se levante da mesa, durante o jantar, enquanto ele, por rotina, não deixa de o fazer, para atender o telefone? Isto é: se os pais exigirem, em função dos exemplos que dão, fazem muito bem.

Não se trata, é claro, de exigirem com maus modos e de forma carrancuda o que quer que seja. Mas, de forma firme e serena. Tudo menos fazerem-no a tremelicar da voz ou a pedir, muito devagarinho, que uma criança faça aquilo que, sensatamente, tem de fazer. E, é claro, sem se explicar, negociar ou justificar porque - ao fazerem-no como quem tem a obrigação de encher o discurso de alíneas e de demonstrações, a propósito de tudo e de mais alguma coisa (o que sucede quando os pais tentam fugir às más práticas - demasiado autoritárias - dos seus próprios pais) - o melhor que conseguem é pôr ruído nos bons exemplos que vão tendo e exercer a parentalidade tão a medo que, à cautela, uma criança tem nas birras um excelente controle de qualidade para a autoridade dos pais".

Eduardo Sá

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

O MODO COMO AS CRIANÇAS SENTEM AS EMOÇÕES

Emoções…São fundamentais na nossa vida…Fazem-nos sentir, viver, usufruir mas, também nos fazem chorar, gritar, sofrer…
Se para um adulto as coisas funcionam desta maneira, imagine para uma criança que, neurologica e emocionalmente, não amadureceu ainda o suficiente e, por isso, não tem ainda ferramentas para gerir as emoções com que se vai deparando no seu dia a dia.
O que acaba por acontecer é que a criança fica descontrolada pois, não consegue gerir a intensidade com que sente as coisas e, então, “amplia” tudo o que sente, tornando tudo muito GRANDE.

Não é fácil para nós, pais, mas também não é nada fácil para a criança…

Deixo-vos com algumas estratégias que podem ajudar...

Em primeiro lugar é importante mostrarem à criança que está segura com os pais…Mostrem-lhe que mesmo quando ela se descontrola, vocês estão lá para ela, sem descontrolo.
Se a criança está descontrolada, ela espera encontrar ajuda junto dos pais…Precisa sentir os pais controlados, calmos, mesmo quando ela está completamente descontrolada…Precisa perceber que os pais “aguentam” com o seu descontrolo e a ajudam a conter-se e a reencontrar a calma.

Quando a criança está descontrolada, tal como a própria definição indica, ela perdeu o controlo do que diz e do que faz por isso, quando a criança diz “odeio-vos” ou “vocês são os pais piores do mundo” (entre outras acusações), tentem abstrair-se do que ela está a dizer e concentrem-se em reconhecer o estado emocional em que a criança está e, em garantir-lhe o apoio que ela precisa nesse momento. Quando a criança estiver mais calma, logo falam em relação ao seu comportamento…De nada adianta falarem com a criança no auge do seu stress…ela não vos vai ouvir, pois o seu cérebro está em “modo” defensivo, evitando tudo o que possa gerar mais stress e angustia.

Entendam os gritos, os pontapés na porta, o jogar tudo pelo ar como um pedido de ajuda, um pedido de ajuda para que vocês a ajudem a diminuir a intensidade do que está a sentir pois, na verdade, ela percebe que não o consegue fazer sozinha

Foquem-se no facto de que, quando uma birra descontrolada se instala, só há uma coisa que vocês conseguem controlar: o vosso próprio comportamento!
Sim, não podem entrar dentro da cabeça da criança e desligar o botão do OFF mas, podem controlar o modo como respondem a esse comportamento por parte da criança.


Fátima Poucochinho
Psicóloga Infanto Juvenil
ASAS, Portimão

sábado, 17 de janeiro de 2015

A DISCIPLINA E A IMPOSIÇÃO DE LIMITES....


A disciplina é mais do que dizer “Faz isto porque eu estou a dizer“!

Sugiro uma pequena reflexão aos pais...

Pensem nesta situação como se ela se passasse com vocês, pais...
Se o vosso patrão vos mandar/ordenar fazer alguma coisa, vocês até fazem mas, não o fazem com a mesma motivação que o fariam se o vosso patrão em vez de ser agressivo, dialogasse convosco e vos pedisse de forma gentil, explicando o porquê do seu pedido!

O mesmo se passa com o vosso filho....Se em vez de disciplinarem com o "Sim porque eu mando", ajudarem a criança a organizar o seu pensamento e a entender o porquê desse pedido, de certeza que a criança o vai realizar de uma forma muito mais empenhada e sem "birras".

Quando nos dizem para fazer algo de forma agressiva, a chamado imposição de limites através da educação autoritária, o que vai acontecer é que vamos obedecer por medo de ser punidos e não por percebermos realmente a tarefa ou nos motivarmos para ela....

O mesmo se passa com uma criança. Se o tipo de limite que usa com ela é o autoritário, corre o serio risco da criança obedecer apenas por medo, sem respeito pela sua pessoa, com a agravante de que não a está a ajudar a elaborar uma actividade reflexiva e orientadora da sua atitude.

Não há formas de impor limites perfeitas, nem técnicas perfeitas...Existem sim formas que nós, pais, percebendo o que o nosso filho precisa para crescer de forma saudável, podemos fazer.

Sem duvida, para crescer de forma saudável, a criança necessita ter autonomia para pensar. Para isso, é fundamental a clareza da comunicação e o estimulo do raciocínio...é necessário educar para a construção da autonomia!

ENTÃO....PENSE E ANALISE QUAL É O SEU ESTILO EDUCATIVO DOMINANTE...PENSE NAS CONSEQUÊNCIAS POSITIVAS E NEGATIVAS DO MÉTODO QUE ESTÁ A USAR E, REPENSE-O EM FUNÇÃO DISSO!!!!

Desejo um excelente momento de reflexão a todos os pais...os filhotes agradecem


Texto adaptado do manual para pais da palestra " A importância do não na auto estima da criança"

Fátima Poucochinho